Pega-se um ônibus
para chegar até a estação central. Os finais de semana são assim, muitas
pessoas e trânsito mais lento, quase uma despreocupação, quase férias. Senta,
espera as rodas partirem e rodarem, um balanço solto pra cá um solavanco pro
outro lado e o motorista tão pouco apressado se joga em frente ao sinal
amarelo, agredindo todas as leis de trânsito do país, mas é sempre assim, olha
que no nordeste é pior, comentam alguns passageiros habituados aos tão mal
pagos motoristas do norte do Brasil, motoristas que não tem medo de altura, de
pontes, portos e mar, motoristas que sabem o que é passar no sinal vermelho,
entrar na contra mão, pisar fundo com passageiros ainda por pisar no primeiro
degrau, aqueles passageiros que se seguram à porta ou às janelas pelo lado de
fora e ficam com os pés flutuando enquanto o transporte coletivo se estrepa
pelo caminho. Tantas pessoas, sentadas, em pé, apertadas, esmagadas. Parecendo
um coletivo de enlatados. Campainha. Move-se de um lado conseguindo ultrapassar
apenas um braço de distância das portas. Campainha. Uma senhora dona do mundo,
mal educada sai empurrando, como se a vez fosse dela, só pra ficar mais
confortável declinada sobre um cano de alumínio. Campainha. Aborta-se a longa
missão e para antes mesmo de completar a curva, desce-se do transporte,
pousa-se em frente ao ninho de anus, coisa rara de se ver. Chega num andar meio
sonolento. Os bares da vizinhança começam espreguiçando-se lentamente, até
virar rotina, tira-se o mofo, abrem-se as janelas/ coloca o tempero, sal,
azeite, vinagre, guardanapo, abaixa as cadeiras da mesa 30, 60, 45, 1200, 100,
abre-se o caixa, tin, tin, tin, e notas por baixo da máquina registradora são
amontoadas como bordéis em dias de inverno, pega um copo, quebra, joga, corre,
água, espuma, café expresso, cheiro de fumaça, comida da cozinha campainha,
puxa, cuzcuz marroquino, oi mesa para quanta pessoas, temos um lugar lá atrás,
para, come, respira. Campainha. A noite se arrasta pelo salão de chão bordô.
Pausa. O som lento das caixas de som começam a falhar. Pequena pausa. Hora de
pegar a van, fecha os olhos pesados depois de 11 horas em serviço. A cada
pequena parada sonha cinco minutos.
Para de olhar. Para de
falar. Para de
sonhar. Para
de pensar.
Dorme.
10/03/2013
10/03/2013
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